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A pornografia dirá como serão os novos médiasPublicado em 2012-07-04 na categoria Sexo100Sentidos / Pornografia
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Depois de desbravar a indústria pornográfica, o guru de tecnologia do The New York Times Nick Bilton relata como as diversões adultas prevêem como consumiremos notÃcias, fotos e vÃdeos. Nick Bilton ainda se lembra do dia em que teve que explicar à sua mulher que pretendia ir conhecer dezenas de estúdios pornográficos na Califórnia – a Hollywood dos filmes adultos. A sua missão, disse o jornalista, um tanto vacilante, era descobrir quais os motivos que fazem a indústria pornográfica ser tão influente no modo como aderimos novas tecnologias nas nossas vidas. E "mais a fundo", continuou, "o que os empresários desse ramo podem dizer sobre o futuro das mídias". A mulher de Bilton acreditou. Mas, por mais estranha e infiel que pareça a justificativa, Bilton tinha um fundo de razão científica para a sua investigação. Nos últimos anos, estudiosos de diversas áreas tentam mostrar que, se não fosse o impulso humano por imagens sexuais, muitas das ferramentas virtuais da nossa rotina (de suporte telefónico a vídeos por streaming) não existiriam. O primeiro a afirmar isso foi o advogado e professor de direito da New York Law School, Peter Johnson, que escreveu, no começo da década de 90, um longo ensaio intitulado Pornography Drives Technology: Why Not to Censor the Internet (Pornografia Guia Tecnologia: Por que Não Censurar a Internet) defendendo a legalidade da pornografia no país. Para ele, o mundo das diversões adultas era uma lucrativa plataforma de test-drives de novas tecnologias de comunicação e que, por enfrentar muitas dificuldades para entrar no mercado convencional, sabia inventar soluções alternativas para consumo como nenhuma outra. Foi assim, por exemplo, com o sistema de tarifas telefónicas por minuto, criado por empresários americanos do ramo erótico, em 1982. Depois do processo antitruste movido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra a AT&T, pequenas empresas alternativas contrataram funcionários de ambos os sexos para simular relações íntimas com quem estivesse do outro lado da linha. Em questão de meses, milhares de americanos gastavam muitos dólares e horas para conversar com personagens provocantes. Era o início de um novo mercado. As empresas tradicionais, pouco depois, adaptaram os seus modelos de negócio e contrataram técnicos de suporte, astrólogos e até conselheiros amorosos para manter o consumidor preso ao telefone. Algo parecido aconteceria em meados de 95 com o pay-per-view, também nos Estados Unidos. Em crise, produtoras americanas resolveram vender os seus filmes adultos sob demanda num acordo com as empresas de TV a cabo. Bastava usar o telefone ou controle remoto. O sucesso foi tão grande que, nesta época, dezenas de novos estúdios pornos surgiram e as emissoras mais bem comportadas resolveram imitar a estratégia. Essas e outras curiosas histórias sobre a influência pornográfica são contadas por Nick Bilton no seu novo livro. “I Live in the Future & here’s how it works”, em que arrisca prever como serão as tecnologias mundo nas próximas décadas. Em conversa com a Galileu, ele conta o que aprendeu na sua viagem ao mundo porno. E o que todos nós temos a aprender com a distribuição de pornografia pela web: Revista Galileu: Porque é que a pornografia influencia tanto a tecnologia? Nick Bilton: Bem, é uma questão numérica e biologica. Quero dizer, a cada segundo, mais de trinta mil pessoas pesquisam por pornografia na web. É uma necessidade física. Com o tempo, buscamos facilitar o acesso e melhorar a experiência pornográfica usando novos meios. O fenómeno de pornografia que vemos na internet aconteceu no passado com livros, revistas e outros meios de comunicação. Conto isso no começo do meu livro. Mas a explicação certeira sobre a influência porno é mais complexa que isso. A discussão sobre o tema é recente e não há nenhuma pesquisa científica que possa provar algo. RG: Em quais áreas da tecnologia a influência da pornografia é maior? NB: No passado, acredito que havia uma influência muito grande na tecnologia como um todo, desde a criação dos aparelhos até os testes dos mesmos. Para citar: dos anos 70 até o começo dos anos 2000, ela determinou a vitória do VHS sobre o Betamax (este último proibia gravar conteúdo erótico nas suas fitas), criou o telesexo, popularizou os canais pay-per-view e impulsionou os vídeos por streaming na internet. Mas hoje, depois de visitar os estúdios pornos, percebi que o seu poder de influência se resume mais a distribuição de médias. A indústria pornográfica hoje não decide se as pessoas comprarão um iPad, um Samsung Galaxy, ou qualquer algo do género. Também não acredito que inventarão um novo produto, pois não é o interesse dessa indústria. Na verdade, a indústria porno de hoje influencia e dita quais os melhores meios de compartilhar conteúdos. A pornografia diz como serão os novos médias. Podemos ver isso na questão de conteúdos pagos na internet. A indústria porno parece ter resolvido há alguns anos. RG: Como é que essas empresas se resolveram pela internet? NB: Hoje a maior parte das empresas do ramo adulto lucra muito mais com a internet do que com as vendas físicas (revistas e DVDs, por exemplo). O cenário é muito concorrido, mas muitos souberam aproveitar isso e experimentaram novas táticas sem medo de errar. Criaram boas fórmulas de negócio mesmo. As empresas de sucesso trazem conteúdos novos, imediatos, com boa experiência de uso, e tudo isso de graça ou por preços baixos. Isto é, trazem algo novo para o usuário, que pode ser uma cena melhor filmada, uma história mais bem contada ou uma possibilidade de interagirem direto com as atrizes. Esse parece ser o segredo: uma melhor experiência que faça a pirataria não compensar. RG: O que é que as empresas de médias podem aprender com a pornografia? NB: Creio que os grupos de média podem aproveitar os exemplos da indústria pornográfica de maneiras distintas. Podem aprender que as notícias não serão necessariamente pagas, assim como as pessoas não pagam por pornografia agora. As pessoas que acessam conteúdo e entram na experiência digital não se importam com DVDs, revistas impressas, isso é passado. Eles só querem o imediato e acessar as coisas do dia. E o consumidor, como vimos primeiro na pornografia digital, procura por nichos. Na indústria porno, as pessoas pagam por coisas que são extremamente específicas, como um site com garotas de óculos e vestidas como professoras, por exemplo. A internet é o melhor modo de mostrar que a média tradicional tem um caminho parecido com o trilhado pela indústria da pornografia. Todos são possíveis consumidores na rede, há mercado para todos. É um negócio de milhões de pessoas pesquisando coisas ora distintas ora parecidas: pode e deve ser explorado de muitos modos. NB: Creio que o caminho está na realidade virtual, nas interações que simulam ambientes e movimentos. Acho que acontecerá isso não só com videojogos, mas também nos cinemas, na TV, jornais e todo o resto. Vamos ver mais experiências imersivas que já se iniciaram na indústria pornográfica e que permitirá os usuários mergulharem e explorarem o que estão assistindo. Conversei com alguns empresários nos Estados Unidos que já estão desenvolvendo uma sala que projeta realidade virtual a base de holografia (a holodeck, da produtora Digital Playground). É o tipo de invento que veremos no futuro para reproduzir filmes e outras mídias. Cada vez mais as interações com as mídias parecerão com os games. RG: Na sua pesquisa, o que mais chamou atenção para o que as empresas do ramo pornográfico estão a fazer? NB: Além das tentativas de criar novos meios de distribuir as suas médias, as companhias estão a tentar ensinar um aspecto social para as pessoas, mostrando aos casais que podem experimentar alguma tecnologia nova juntos, que a pornografia não é uma coisa má e que não precisa se envergonhar. Isso é positivo, fará com que a indústria pornografia se livre de censuras e preconceitos, aumentando ainda mais a sua criatividade. Quando a sociedade estiver mais aberta a isso, acredito que a influência da pornografia sobre tecnologia e novas mídias se tornará ainda maior. |
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