RACK (Risk-Aware Consensual Kink) e outras classificações
Publicado em 2012-07-04 na categoria Sexo100Fronteiras / BDSM


“Tara consensual consciente do risco”, essa é a tradução literal dessa expressão criada por um BDSMer (aquele que pratica BDSM) para se contrapor a noção simplória do SSC. Enquanto o SSC diz seguro, o RACK diz consciente do risco. O que esse conceito novo quer mostrar é que nada é 100% seguro na vida, mesmo se estivermos dentro de casa a dormir, algo mau pode acontecer, para se morrer basta estar vivo.

Até as práticas mais simples apresentam riscos de danos físicos ou psíquicos. Aí entra a noção de minimização dos riscos, ou seja, tentar baixar o risco inerente às práticas ao mínimo possível, através dos cuidados e precauções pertinentes e estudando previamente e aprofundadamente o que se fará. O risco sempre estará presente nas práticas, mas podemos minimizá-los bastante. Claro que existem práticas que apresentam por natureza quase nenhum risco, mas existem muitas outras que têm risco médio ou elevado. Há uma escala de riscos, das práticas mais perigosas as menos perigosas.

Enfatiza-se no conceito de RACK que as partes têm de estar cientes de que existe um risco inerente mínimo e que não se pode eliminá-lo por completo. Isso também distribui um pouco da responsabilidade, que passa a não ser exclusiva do TOP (aquele que comanda a sessão; o conceito será aprofundado mais adiante), mas que também, em menor grau, transmite-se à bottom (a que é comandada; o conceito será aprofundado mais adiante).

Obviamente que o TOP é que conduzirá a sessão e as cenas, mas a bottom está ciente de que as práticas com que consentiu apresentam riscos, os quais podem ser elevados, médios ou baixos, a depender do caso concreto e dos cuidados que forem adotados. A noção de consensualidade permanece, pois as práticas serão feitas de modo consensual, conforme a expressão Consensual Kink.

O conceito de sanidade parece estar incluído no de minimização de riscos, pois ao praticar-se o BDSM com o estado de consciência alterado por substâncias entorpecentes ou alucinógenas ou que de alguma forma alterem a consciência ou ao fazerem-se coisas insanas e desmedidas o risco a saúde física e mental é gigante (não se precisa nem falar de mutilações e mortes, que por óbvio atacam a integridade física e a vida). A sanidade também como negação à relação com incapazes se mantém, pois uma pessoa insana não pode dar um consentimento válido.

PCRM (Prática Consensual com Risco Mínimo)

A expressão RACK é mais exata do que a expressão SSC, entretanto mesmo assim não é perfeitamente exacta, por isso propõe-se um novo conceito, segundo o qual as práticas do BDSM devem ser Consensuais, almejando-se sempre o risco mínimo ou a minimização máxima dos riscos; logo, a expressão correta deve ser Prática Consensual com Risco Mínimo.

Essa nova expressão, a PCRM, além de ser mais exata, também elimina um termo que, pelo menos em alguns locais, é pejorativo, o de “tara”; pois que não nos considero tarados, muito menos anormais, e sim apenas pessoas que admitiram a sua natureza e a exercem de modo sadio e dentro da lei, diferente da hipocrisia dominante que tenta negar os seus instintos ou dos desejos “feijão-com-arroz” dos baunilhas.

TOP, bottom e Switcher

Essas classificações independem da orientação sexual, então, independentemente do género das palavras, entenda-se que se aplicam a homens e mulheres.

  • TOP é aquele que detém o poder da prática em questão, o activo, aquele que faz, que promove as práticas.
  • Bottom é aquele que está sobre o poder do TOP, o passivo, que sofre as práticas.
  • Switcher (SW) é aquele que por vezes, seja com a mesmo parceira ou não, é ativo e por vezes passivo.

Um TOP pode ser sádico, dominador ou bondagista activo ou, o que geralmente ocorre, apresentar todas essas características conjuntamente.

Um bottom pode ser masoquista ou submisso ou bondagista passivo ou, o que geralmente ocorre, apresentar todas essas características conjuntamente.

Um Switcher é por vezes TOP e por vezes bottom; isso tudo com a mesma parceira ou não. Pode ter uma tendência maior para um lado do chicote ou gostar igualmente das duas coisas.

Um exemplo curioso e ilustrativo seria o de um switcher sádico submisso que se relacionasse com uma switcher masoquista dominadora. Ele causaria dor nela ao comando e controle dela; ela daria, por exemplo, ordens para que ele batesse nela do jeito e intensidade que ela escolhesse. Várias outras combinações são possíveis, deixe fluir a imaginação...

Todos são SW’s?

Embora haja preconceito sobre o tema, na prática se verifica empiricamente que não existe ninguém que seja 100% alguma posição no BDSM, todos por vezes tem algumas preferências ou por vezes sentem algum tipo de desejo contrário a sua posição. Por exemplo, um TOP pode um dia sentir vontade de sentir dor, então embora ele geralmente seja TOP, por vezes pode ser bottom. Inúmeros são os casos de submissos que viraram dominadores e vice-versa em diferentes relações. Então se percebe que todos são Sw’s, geralmente com maior tendência a alguma posição específica, embora a maioria tente esconder seu passado ou seu outro lado menos evidente.

 
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