Gor e Goreanos
Publicado em 2012-07-02 na categoria Sexo100Fronteiras / BDSM


Gor é uma variante do BDSM bem específica, que se baseia numa série de livros (romances filosóficos) de um autor norte-americano chamado John Norman, que narram um mundo imaginário onde todas mulheres são naturalmente escravas dos homens, servindo-os; nesse mundo isso é normal, é a natureza das coisas e por isso elas não se rebelam. Isso acontece não apenas num contexto sexual, mas também em toda sociedade. Nesse mundo existem vários tipos de escravas, que são chamadas kajiras.

Então, a partir da influência e das ideias desse romance se formaram vários tipos de praticantes de GOR. Existem os que fazem um RPG virtual de GOR, em comunidades virtuais, onde tudo não passa da internet, criando-se verdadeiras comunidades fictícias; enquanto outros fazem dessas teorias e ideais um estilo de vida e o praticam no mundo dos factos activamente.

Está claro no GOR o conceito de dominação e submissão através do controle e da servidão, por isso o vejo como uma variante exótica do D/s e, com efeito, do BDSM.

Desmistificar o GOR

É incrível como a falta de informação pode produzir absurdos irracionais; mas o mais incrível (e lamentável) é como pessoas até então sensatas podem propagar esses absurdos. Gor é um deles. O que se ve é que muito se fala sobre o que pouco se conhece; há gente que talvez por não ter o que falar com propriedade, prefere o escárnio; há gente que morre de curiosidade mas não admite nem sob tortura que é um assunto que lhe desperta interesse; há gente que (não se sabe porquê) sente-se ameaçada e começa a inventar coisas. Eis uma história na primeira pessoa:

Quem me trouxe ao mundo BDSM foi uma Domme e, em algum momento da minha "infância fetichista" eu vi-me sem a minha mentora, sozinho num mundo estranho; comecei a procurar alguém que me pudesse orientar e nessa busca, acabei por fazer amizade com um Master Goreano, que de bom grado, assumiu a tutoria do pequeno sádico.

Conforme o meu crescimento como Dominador se acentuava, eu percebia que eles (os Goreanos) eram algo diferentes dos outros "pervertidos" que eu conhecia: eram pessoas muito reservadas e levavam a sério o seu estilo de vida; quando comecei a frequentar os eventos Goreanos, percebi a riqueza de detalhes que é a sua cultura e as suas liturgias e foi onde eu experimentei pela primeira vez o sentimento de satisfação em ser servido pela escrava; vi nos olhos marejados dela, a emoção que, por outro lado, lhe aflorava pelo simples facto de servir o seu Dono.

Quando digo servir, refiro-me a servir-Lhe alimento, de forma litúrgica como manda a tradição Goreana; uma coisa simples que desperta sentimentos profundos.

Primeira grande confusão:

Gor pode não ser uma prática BDSM! Existe um espaço onde pode ser incluído (se assim for o desejo do Master Goreano) práticas do BDSM, mas, sem elas, Gor ainda continua a ser um Gor. Já ouvimos tantos absurdos que chega a ser hilário em certos casos:

  • Para ser kajira a sub tem que cortar fora a ponta do dedo (tosco e sem noção; para ser kajira, ela precisa apenas querer servir o seu Master e aprender sobre a cultura Goreana de forma a se portar como uma kajira);
  • A kajira tem que ter a marca do Master feita em branding (o caso mais próximo disso que conhecemos é uma tatuagem que ela resolveu fazer para agradá-Lo);
  • Gor é fantasia, é o Harry Potter do SM (por acaso dogplay é o que? ageplay é o que? rapeplay é... e são coisas muito difundidas e praticadas dentro do BDSM; a questão é que a fantasia de cada um passa a ser realidade no momento em que se vive a cena.);
  • kajira não pode falar, não pode isso, não pode aquilo (escrava pode? submissa pode? as kajiras que conheço são mulheres resolvidas, inteligentes e participativas);
  • Em Gor não existe safeword! (não existe realmente, mas a kajira é o bem mais precioso do Master Goreano e ele tem a obrigação de zelar pela integridade física e mental da sua posse; nas cidades Goreanas existe um Conselho cuja função, entre muitas outras, é controlar os abusos).

Mas de onde surgiu essa coisa toda?

Na década de 60, um norte americano chamado John Norman (pseudónimo) começou a escrever uma série de livros de ficção chamada "Crónicas da contra-Terra"; nesses livros, é apresentada a história de Gor e os seus costumes; e é em cima dessas descrições que os Goreanos como os conhecemos aqui, baseiam os seus estilos de vida, tirando o que não se aplica, adaptando o que não se encaixa e vivendo tudo o que é possível.

 
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