O que é o BDSM?
Publicado em 2012-08-02 na categoria Sexo100Fronteiras / BDSM


BDSM é uma forma de relacionamento humano entre adultos, que engloba um conjunto variado de comportamentos e práticas, incluindo Bondage e Disciplina (B&D), Dominação e submissão (D/s) e Sadomasoquismo (SM). Este tipo de relacionamentos, que pode ou não ser adoptado como estilo de vida, preconiza um consentimento informado, regendo-se por um código de conduta alicerçado no São, Seguro e Consensual (SSC).

BDSM é um acrónimo para a expressão Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo um grupo de padrões de comportamento sexual humano. A sigla descreve os maiores subgrupos:

  • Bondage e Disciplina (BD)
  • Dominação e Submissão (DS)
  • Sadismo e Masoquismo ou Sadomasoquismo (SM)

Prática de BDSM

O BDSM tem o intuito de trazer prazer sexual através da troca erótica de poder, que pode ou não envolver dor, submissão, tortura psicológica, cócegas e outros meios. Por padrão, a prática é provocada pelo(a) Dominador(a) e sentida pelo(a) Submisso(a). Muitas das práticas BDSM são consideradas, num contexto de neutralidade ou não sexual, não agradáveis, indesejadas, ou desvantajosas. Por exemplo, a dor, a prisão, a submissão e até mesmo as cócegas são, geralmente, infligidas nas pessoas contra sua vontade, provocando essas sensações desagradáveis. Contudo, no contexto BSDM, estas práticas são levadas a cabo com o consentimento mútuo entre os participantes, levando-os a desfrutarem mutuamente.

O conceito fundamental sobre o qual o BDSM se apóia é que as práticas devem ser SSC (São, Seguro e Consensual). As actividades de BDSM não envolvem necessariamente a penetração mas, de forma geral, o BDSM é uma actividade erótica e as sessões geralmente são permeadas de sexo. O limite pessoal de cada um não deve ser ultrapassado, assim, para o fim de parar a sessão/prática, é utilizada a SAFEWORD (palavra de segurança) que é pré-estabelecida entre as partes.

A sigla BDSM

 

Na década de 90 pensou-se na sigla acima, como a junção dos termos: Bondage (escravidão, imobilização) & Disciplina, Dominação & Submissão, Sadismo & Masoquismo. Seria uma expressão mais abrangente e que permitiria distinguir os mais lights dos mais hards. Daí os que não gostavam de práticas mais violentas intitulavam-se D/S (Dominação e Submissão) em contraposição aos mais “violentos”, os sadomasoquistas; o que na verdade não faz sentido algum, pois a violência não é inerente a apenas um dos grupos, mas a todos; assim, uma relação D/S pode ser mais violenta do que uma relação SM, conforme veremos adiante.

Na prática, não existem relações totalmente D/S ou somente S&M ou só B/D, haverá sempre, mesmo que mínimo, um ingrediente de um dos outros grupos. Sem embargos, didaticamente, podemos estudar de forma separada esses três grupos.

Fetiches X BDSM, Diferenças e Similaridades

Fetiches são preferências sexuais não-baunilhas (o sabor de sorvete mais comum é de baunilha, assim usou-se esse termo para se referir a relações sexuais convencionais, comuns, que tem como expoente a posição “pai-mãe”). Uma prática-BDSM também, no entanto é feita com intuito de BDSM, já um fetiche é feito por si mesmo.

Práticas são condutas, acções, estados e/ou fetiches específicos dentro do BDSM. Exemplos: práticas de dogplay, foodplay, spanking. Muitas vezes estão grafadas em inglês, seja por não haver correspondente na nossa língua, seja para que as pessoas baunilhas não percebam do que se trata ou por simples costume de americanizar tudo. Exemplo: existem pessoas que tem o fetiche da podolatria (gostam de pés) e o fazem num contexto onde não há dominação nem sadismo nem bondage, apenas gostam de pés e os cultuam. Simples assim.

Entretanto pode ser que uma escrava (quem se submete voluntariamente no BDSM) que tem o fetiche por pés o faça numa conotação de BDSM, para servir o seu Senhor, daí temos além de um fetiche, uma prática BDSM. Todavia, pode ser que a escrava lamba o pé do dono apenas para agradá-lo, já que não gosta de podolatria, então estaremos diante de apenas uma pratica de BDSM, pelo prazer do dominador, e não de um fetiche. Vemos então que fetiches e praticas de BDSM não são a mesma coisa, embora muitas vezes se confundam.

Bondage e Disciplina

Dentro dessa categoria temos o bondagista activo, que é aquele que imobiliza o bondagista passivo (com vários estilos de amarrações, simples ou complexas, de origem oriental (shibari, etc.) ou ocidental (termo bondage), com cordas finas ou grossas, cadarços e outros materiais; imobilizações com fitas isolantes, papel filme, silver tape, outras fitas colantes; com algemas, prendedores, no X de santo André, na roda, em mecanismo medievais de madeira próprios,etc.). Temos também o disciplinador e o disciplinado, onde, por óbvio, um disciplina e outro é disciplinado. Disciplina é aqui entendido como obrigar ou treinar alguém a fazer alguma atividade ou a adotar certas condutas ou regras.

Esses dois conceitos entrelaçam-se, pois muitas vezes usa-se da imobilização para disciplinar, sempre visando à formação e treino da escrava para fielmente exercer o seu papel. Embora o conceito de bondage pareça estar incluído na dominação e submissão, há relatos de quem já viu praticantes exclusivos de bondage, sem conotação de dominação ou de sadismo, apenas pela arte da imobilização; então, por isso, percebe-se, embora geralmente inserido num contexto D/s, ser dotado de possível autonomia, sendo correta a sua menção em separado.

Já a disciplina parece intrínseca no conceito de controle e dominação, mesmo várias práticas de disciplina sendo especiais (como poney play, dogplay, etc.), todas não deixam de ser dominação; aliás dominação em sentido amplo não deixa de ser uma disciplina, pois é controle. Então a Sigla BDSM deveria significar apenas Bondage, Dominação e Submissão, Sadismo e Masoquismo, embora a sigla continuasse a mesma, pois somente esses conceitos detém autonomia(podem ser verificados isoladamente), embora tal não seja comum. Assim disciplina estaria compreendida na dominação e por isso não mereceria destaque na sigla.

Dominação e Submissão

Uma relação de dominação e submissão é caracterizada pelo elemento controle. O dominante controla as acções e pensamentos do submisso, que se submete pelo prazer de fazer as vontades do dominante, pelo prazer que sente com o facto de o dominante ter prazer, é um prazer empático, um prazer de dar prazer. Existem várias práticas relacionadas à dominação e submissão.

Por exemplo, o controle da conduta da submissa através de relatórios diários, o dogplay, em que a submissa se comporta como um cão, o foodplay “brincadeiras com comida”, em que se pode, por exemplo, usar a submissa como um prato, colocando-se comida em cima dela (já viu aqueles filmes em que se come sushi em cima de uma japonesa? Então...), a dominação psicológica, em que o dominante molda ou tenta moldar (mais adiante falaremos sobre essa polémica) a psicologia da submissa, os seus gestos, atitudes e até pensamentos conforme os seus gostos e preferências.

Na verdade embora essas práticas estejam geralmente ligadas à dominação e submissão, isso não é verdade absoluta, pois o que determinará se uma prática é de dominação e submissão é a intenção dos praticantes com aquilo. Se há intenção de dominação e controle, então estamos diante de uma prática num contexto D/S. Entretanto, uma prática aparentemente ou geralmente D/S, pode estar num contexto mais preponderante de B/D ou de SM. Por exemplo, uma prática de dogplay pode estar relacionada aparentemente a D/S, mas na verdade tratar-se de SM, pois a intenção dos praticantes é explorar o sofrimento, um querendo sentir-se humilhado e o outro humilhar, curtindo o sofrimento alheio; tratar-se-ia de uma prática dogplay num contexto SM e não D/S, ou com poucas cargas de D/S e mais de SM, se é que nos fazemos entender.

 
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