Incesto: o amor (e o drama) sobre o qual ninguém fala
Publicado em 2016-04-05 na categoria SexMundi / Reportagens


A história publicada na revista New York sobre uma rapariga de 17 anos que se reencontrou com o seu pai (que não via desde os cinco anos), a intensa atracção que surgiu entre eles, a intimidade física e a intenção de se casarem e terem filhos despertou o alerta sobre o maior dos tabus: o incesto. Chegou mesmo a perder a virgindade com ele.

Agora, ela tem a mesma idade que o seu pai quando a concebeu, supostamente na noite do baile de finalistas, proeza que provavelmente comentou com os amigos no dia seguinte, tipo "Tive sorte ontem à noite!". A verdade é que não é preciso um requisito super especial para ficar grávida ou engravidar alguém. Os pássaros fazem-no, as abelhas fazem-no, os adolescentes também o fazem na noite de finalistas, façamo-lo nós também! Bora lá trazer muitos e muitos mais humanos a este planeta maldito, cuja superpopulação será provavelmente a causa do seu fim.

Muitos dos que leram a entrevista desta miúda de 17 anos duvidam da sua veracidade.

A menina do papá

No caso desta rapariga, que já completou 18 anos, sabe-se que as relações sexuais ocorreram um ano antes, quando ela ainda era considerada menor. Tirando os cargos apresentados contra o seu pai, por estupro, ela já tem capacidade legal para tomar decisões sobre a sua intimidade, e assegura que tem a ciência do seu lado - com uma cena que se chama ASG: Atracção Sexual Genética. A designação data dos anos 80, e fala sobre o encontro entre familiares que se reúnem depois de muito tempo separados. Mesmo que a dita atracção não aconteça sempre, segundo investigações, acontece frequentemente entre pais e filhos, assim como irmãos separados que se reencontram, geralmente irmãos dados para adopção que voltam a encontrar-se em adultos. Mas até que ponto serão estas reacções químicas ou de foro psicológico?

Ao fim e ao cabo, um dos factores relacionados com o incesto é o medo de abandono. Agora que estão muito unidos, a rapariga revelou que assim que trocarem votos, pensam mudar-se a Nova Jersey, onde as relações incestuosas consentidas não são penalizadas. Apesar de ser algo novo para legisladores e residentes desse estado, o incesto parece ter existido sempre – há tanto tempo quanto o casamento ou o divórcio, a gravidez não desejada, a imaculada concepção, os assuntos de paternidade e machismo, e a estranha obsessão das famílias reais por manterem a sua linhagem pura.

Esta rapariga e o seu pai não cumprem os requisitos daqueles que acreditam que a instituição do casamento deve ser defendida, e que definem o matrimónio como a união sagrada entre um homem e uma mulher? Os sacerdotes do grande Estado do Texas, por exemplo, não lhes concederiam uma licença de matrimónio? Porque afinal, talvez nem tenham o mesmo apelido e, além disso, as relações sexuais seriam entre duas pessoas de diferentes sexos. A resposta, obviamente, é que não, já que os defensores do casamento tradicional nunca poderiam conceber a consanguinidade nos seguintes termos:

O sangue pesa mais que a água, mas o sémen pesa mais que o sangue

De certeza que este pensamento vos repugna, já que não há nada mais nojento que falar de incesto ou de fluídos corporais. Mesmo que não se trate exactamente de um líquido, mas sim uma proteína viscosa, e nojenta na mesma. Em ambos os extremos da vida política dos Estados Unidos, seja da esquerda ou da direita, nada é mais repugnante que o incesto. E mesmo assim, os defensores mais

intransigentes do direito à vida querem proibir a interrupção da gravidez por relações sexuais forçadas entre pais - ou qualquer outro familiar - e filhas. O horror das relações sexuais no seio da família não parece incomodá-los.


A família Kornegay.

Para muitos, o incesto é uma cena habitual. Quase na mesma altura em que se publicou a entrevista na revista New York, saiu uma notícia sobre Misty "Ariel" Kornegav, uma miúda de 15 anos de White Springs, Flórida, que assassinou o seu irmão de 16 anos. Este tinha abusado dela psicológica e sexualmente, como já tinha feito outro membro da família, uns tempos antes. O seu tio abusou sexualmente dela quando tinha 11 anos. Misty não recebeu terapia depois disso e chegou a tentar o suicídio. Aos 12 anos, a sua mãe viu Misty e o seu irmão "a ter relações sexuais". Limitou-se a castigar a menina. O castigo consistia em ficar fechada num quarto com apenas um cobertor e uma bacia para as suas necessidades. Segundo informações oficiais o máximo de tempo que esteve isolada foram 20 dias consecutivos.

É claro que esta menina teve tempo suficiente para sentir qualquer tipo de frustração fúria ou raiva, e para desejar que o seu irmão desaparecesse da sua vida. Para sempre. Misty foi sentenciada por assassinato premeditado, mas então e o abuso sexual premeditado por parte de seu irmão e do seu tio? E o castigo sádico, imposto pelos seus pais, que teve que suportar? O assassinato aconteceu quando os seus pais se ausentaram de casa durante três dias (possivelmente não era a primeira vez que os deixavam sozinhos) e deixaram os adolescentes responsáveis pelas suas irmãs, de 11 e 13 anos.

Isto sugere outro factor que contribui para o incesto: uma mudança de papéis, segundo a qual, em famílias desestruturadas, os rapazes assumem o papel dos adultos. Depois do assassinato - com uma pistola que estava no quarto dos pais - , as duas raparigas fugiram, deixando a sua irmã de três anos com o cadáver. Os procuradores acusaram os pais de negligência e decidiram não processar as duas irmãs como se fossem adultos. O jurado, se tiver piedade, poupará esta menina de ir para a prisão, já que suportou coisas demasiado horríveis, vivendo em condições desumanas, como escrava, na prisão que era a sua própria casa.


Desenho de Lily van der Stokker, 1994.

Ouve o que diz a Mamã

As histórias mais conhecidas sobre relações sexuais endogâmicas, principalmente as que denunciam abusos e traumas, são as que envolvem pais e filhas, ou irmãos e irmãs, mas isso é porque os gajos são considerados perpetradores mais agressivos. É possível que as relações entre mães e filhos não sejam classificadas como graves, porque é pouco provável que nasçam filhos, fruto dessa relação. Além disso, culturalmente, mesmo que estas relações sejam vistas como algo malicioso, não são consideradas traumáticas. Não é fácil determinar o grau de veracidade destas afirmações para as vítimas masculinas, mas geralmente o público e os meios de comunicação tendem a considerar estas experiências traumáticas como uma cena exclusiva da mulher. É como se os rapazes e as raparigas não sofressem o mesmo, uma cena do género: "os rapazes desfrutam do sexo e as raparigas são violadas", ou "os rapazes praticam sexo e as raparigas têm bebés".

Houve um caso muito conhecido entre um miúdo que manteve uma relação com a sua mãe durante anos. Começou quando ele tinha 14 e ela 37 anos, e continuou até ele ir para a universidade. Há três anos ele respondeu a várias perguntas e descreveu, com todo o detalhe, a sua relação numa página do Reddit, confirmando que saiu dela sem qualquer problema, já que tanto ele como a sua mãe caracterizaram a experiência "como algo positivo".

Segundo o seu relato, ele tinha partido os dois braços num acidente e, incapaz de masturbar-se (em vez das duas vezes diárias habituais– como qualquer adolescente – passou a não fazê-lo de todo), começou a exteriorizar os seus desejos, até que a sua mãe se ofereceu para "dar-lhe uma mãozinha". Aparentemente, isto aconteceu com a aprovação do pai, que entendia que o problema devia ser resolvido, ou atendido, de imediato. Este rapaz escreveu que "não defende o incesto, mas por alguma razão funcionou para nós", e acrescentou, "eu estou aqui para contar a minha experiência e não para debater sobre o incesto".

"Tudo começou quando ela me masturbava. Depois passámos ao sexo oral, e finalmente tivemos relações sexuais. Foi uma progressão lenta. Ela nunca me premiou ou ameaçou com sexo. Ao longo dos anos, o meu pai via-nos juntos, mas nunca ficava a observar. A primeira vez que praticámos sexo, eu estava na cama enquanto ela me fazia sexo oral. De repente parou, subiu para cima de mim, tirou as cuecas e sentou-se. Usava uma camisola larga. Disse-me para não sair e esteve ali durante mais ou menos um minuto, até ter um orgasmo. Depois ajudou-me a terminar com a sua boca. Tinha a cabeça a dar voltas.

Quando um leitor perguntou se diziam "cenas porcas" quando estavam na cama, ele disse que não e explicou: "No princípio ela descrevia o que fazia de um modo clínico e isso excitava-me, mas não era realmente porco. Durante o orgasmo soltávamos um “oh!” ou alguma expressão deste tipo. Às vezes falávamos disso à mesa mas nunca na presença do meu pai". E acrescentou: "Nunca contei a ninguém. Tenho uma irmã mais velha que não sabia o que se passava, nem estava envolvida". E sobre a forma como terminou a relação, ele vai ao ponto da questão: "Simplesmente começou a diminuir, até que parou. Não houve um acontecimento que fez com que terminasse. Falei com a minha mãe e o meu pai sobre isso ao largo dos anos. Não é um tema tabu. Acho que nenhum de nós quer que volte a acontecer".

Entre os comentários curiosos e de puro gozo por parte dos seus leitores, a pergunta mais óbvia ainda permanece: foram realmente necessários quatro anos para que os seus braços sarassem? Porque é que as relações continuaram e progrediram até chegar a um ponto de maior intimidade? E como pôde o pai/marido permitir que isto acontecesse durante tanto tempo? Claramente, mãe e filho obtinham prazer destas relações. Mas como é que foi capaz de separar as realidades da mulher que era, ao mesmo tempo que era a sua mãe e a sua companheira sexual ocasional? E como é que o pai era capaz de partilhar a sua mulher com o seu filho, e ainda assim vê-los como filho e esposa? Os filhos tendem a colocar-se entre os pais como rivais, que procuram o carinho do outro progenitor, mas esta manobra é principalmente psicológica e —tirando jogos inofensivos— quase nunca ocorre "dentro das quatro paredes". Se ficava tudo em família, então isto era uma infidelidade consentida e controlada, sem ciúme nem vergonha? Para dizer a verdade, há muitos cabos soltos nesta história e, apesar da insistência do rapaz em que "funcionou para nós" há muitos aspectos que continuam a ser desconcertantes.


Bárbara Daly Baekeland e o seu filho Anthony.

Incesticídio

Um final muito menos feliz —se é que a conclusão de uma relação a largo prazo entre mãe e filho pode ser descrita nesses termos— e também um dos casos mais famosos de incesto, foi o de Bárbara Daly Baekeland e o seu filho Anthony.

A sua história serviu como base para o filme Savage Grace (2007), protagonizado por Julianne Moore e Eddie Redmayne.

A história trágica dos Baekeland é um apimentado filme de desequilíbrio químico e edipiano. Tony era o único filho de Bárbara. Descobriu, após o divórcio dos pais, que era homossexual. Ainda por cima, descobriu o LSD e começou a mostrar um comportamento esquizofrénico. A intenção da sua mãe em "curá-lo", primeiro contratando mulheres para dormissem com ele —um fracasso— e depois, segundo a história, indo para a cama com ela. Acabou com Tony a matá-la, com facadas, em Londres, em 1972. Já tinha tentado matá-la, mas a sua mãe não quis apresentar queixa às autoridades (tentou empurrá-la para a frente de um carro em andamento).

O psiquiatra do rapaz alertou a mãe duas semanas antes do seu assassinato, já que Tony já falava sobre o assunto há algum tempo, e por isso ela corria perigo —uma advertência que ela preferiu ignorar. Barbara já tinha tentado acabar com a sua vida, e provavelmente, o que aconteceu não foi apenas um caso em que uma mãe não acredita que o seu próprio filho possa fazer tal coisa. Ela tinha, de alguma forma, usado o seu filho como meio para acabar com sua própria vida. A sua morte, dadas as particulares e retorcidas circunstâncias, assim como a sua presumível causa, podem ser classificadas como "incesticídio". Tony Baekeland passaria sete anos numa prisão psiquiátrica de Inglaterra antes de os seus amigos super influentes assegurarem a sua liberdade.

Depois de viajar até Nova York para viver com a sua avó de 87 anos (que aparentemente o perdoou pelo seu crime), e já livre de medicamentos, não foi preciso mais de uma semana para que Tony a atacasse e apunhalasse oito vezes no estômago, com uma faca de cozinha. Ela sobreviveu. As facadas tocaram apenas os ossos. Não só quis assassinar a mulher que deu à luz a sua própria mãe, como disse à polícia que queria ter sexo com ela. Após ter sido enviado para Rikers Island e ser avaliado durante vários meses, Tony apareceu morto na sua cela com um saco de plástico enfiado na cabeça, na Primavera de 81. Assassinato? Suicídio? Nunca se saberá. Sam Green não viveu para ver que a sua queixa contra a adaptação ao cinema da saga Beakeland ainda fazia correr papel.


A Princesa Vicky e o seu filho Wilhelm, o futuro Kaiser.

Raça pura ou "fica tudo em família (real)"

Há que destacar que Bárbara Baekeland fez com que o seu endinheirado marido se casasse com ela ao dizer-lhe que estava grávida, quando na realidade não estava. A concepção de Tony no dia do casamento foi mais uma decepção. Brooks Baekeland provavelmente desejava fazer as coisas bem e ter uma mulher honesta para evitar manchar o apelido com desonra e escândalo, e também para poder manter a linhagem. O filho de Bárbara seria o seu herdeiro, e no que toca à fortuna, é sempre

melhor deixá-la em família. Mesmo que os praticantes de endogamia e matrimónios intra-familiares sejam considerados "parolos atrasados mentais", na verdade são exactamente o oposto. Como disse a rapariga da história de atracção sexual genética, quando lhe perguntaram se se preocupava que o seu filho tivesse alguma anormalidade biológica: "Isso só acontece após muitos anos de endogamia, como no caso das famílias da realeza". Esta realidade é super hilariante se considerarmos que ao longo da história foram (e ainda são) muitos os herdeiros ao trono com defeitos físicos.

Os endogamos e os de raça pura estão atados numa mesma cadeia de ADN. Se outros tantos se juntam a eles —e sobretudo, se é uma cena que se tem feito durante gerações e gerações—, o resultado pode ser desastroso. Mesmo que sejam mutações inofensivas consideradas mais como uma espécie de selecção natural, na verdade podemos imaginar como têm sido cultivadas dentro da aristocracia, quando ocorre um desvio genético, como é o caso do incesto. Os casamentos forçados poderiam ser vistos como selecção anti-natural, e uma pseudo-ciência que deu origem ao termo "clonagem do trono".

Durante o reinado da Rainha Victoria, as uniões concretizadas por motivos financeiros e políticos fizeram com que quase todos os aristocratas Europeus estivessem ligados entre si, mas também aumentou as desavenças entre famílias e entre irmãos, que levaram ao início da Primeira Guerra Mundial. Quando o Príncipe Harry escandalizou tudo e todos por usar o uniforme de Rommel de Afrika Korps — a faixa com a cruz suástica e tudo— como disfarce numa festa de Halloween em 2005, (duas semanas antes do Dia da Comemoração do Holocausto), na verdade poderia estar a reconhecer que o Kaiser Wilhelm II era o neto mais velho da Rainha Victoria. O Kaiser, um antissemita notável, previu o futuro quando, depois de abdicar (forçadamente) em 1918, insistiu que o melhor para "os habitantes de Judá... seria o gás". Disseram que Wilhelm sentia um "amor anti-natural pela sua mãe" que estava prestes a converter-se num

desejo incestuoso e não correspondido. Mas o uso e abuso das influências por toda Europa —uma cena do género "dormir com o inimigo"— para manter a paz, (ao mesmo tempo que se mantém a linhagem), teve um preço bastante alto: o continente esteve a ponto de desfazer-se em pedacinhos. E não foi só isso, porque foi na Primeira Guerra Mundial que se inventaram as armas biológicas. Se compararmos isto com a promiscuidade biológica promovida na época parece, em sim mesmo, algo promíscuo.

Mesmo que associar a repressão sexual à época vitoriana seja alimentar um mito, podemos aceitar que são estes mitos—o amor romântico, ou poder governar "por direito divino"— os que permitem que a suposta lei sagrada continue a ser praticada, começando com a história dos primogénitos. A história recorda-nos que o casamento é um negócio. Até agora, o casamento tem sido tradicionalmente definido como a união legal entre um homem e uma mulher, que se tornam marido e mulher. Estão associados ao casamento certos direitos, bem como a sua dissolução, que tem prós e contras. Estes direitos incluem benefícios na saúde e nos impostos, as pensões, as propriedades, os bens —e são repartidos entre ambos—, a custódia dos filhos, a maternidade, a paternidade, etc. Se a definição de casamento mudar oficialmente, estes ainda continuam a ser aplicados. O casamento, não interessa quem sejam ou se estão apaixonados, será sempre uma forma de controlo social. Mesmo que os católicos continuem a ver os casamentos entre pessoas do mesmo sexo como casais de sodomitas que vivem no pecado, um pedaço de papel não será suficiente para dissuadi-los. Só que, não podemos ignorar o movimento progressivo da sociedade.


Foto AP/ Rick Bowmer.

O final do seu mundo

É pura coincidência que estas histórias sobre incesto estejam a sair da gaveta, ao mesmo tempo que o senado norte-americano discute, a nível nacional, o casamento homossexual. Não podemos esquecer que, aqueles que se opuseram ao casamento homossexual no passado compararam o incesto com o abuso infantil e a poligamia. Como se deixar que as pessoas do mesmo sexo se casem abrisse portas para que toda a gente possa casar com quem quiser – inclusive com familiares consanguíneos. Isto é completamente infundado. Mesmo que os casamentos do mesmo sexo não tenham maneira de produzir uma descendência que contenha os mesmos genes de ambos pais, os opositores pensam que estes casais adoptarão ou terão filhos de uma maneira ou de outra, e que, ainda para mais, vão pervertê-los. A lenga-lenga de que os seus filhos "serão forçados a ser gays" não é o seu maior medo. O que os assusta mais que tudo é que estas crianças cresçam e aprendam a pensar por si mesmos e, portanto, se as suas famílias cultivarem o respeito e tiverem que lutar para obtê-lo, podem povoar o mundo com seres mais tolerantes. Para os conservadores isto é uma cena absolutamente inaceitável.

Isto faz lembrar aqueles que se opunham ao casamento entre diferente raças - os que ficavam horrorizados só de pensar como seria a criança, ou os que não suportavam a emancipação, e negavam a evolução. Não é absolutamente contraditório que alguns grupos dentro da mesma espécie não tenham evoluído por completo. E se considerarmos a escravatura apenas como a expressão de uma dinâmica de poder, podemos ver uma correlação entre os esclavagistas —os que se acham no direito de fazer o que lhes apetece com o resto da sua "família"— e aqueles que têm relações incestuosas dentro do seu próprio harém privado.

O dono e senhor, como se fosse o líder de um culto, espera e exige obediência e sobrevivência por parte de seus seguidores. Será mais comum o incesto dentro das famílias que enfatizam o pecado e a eterna sentença em cima do perdão? Se assim fosse, seria surpreendente? O incesto como tabu é um elemento super importante para o desenvolvimento do ser humano porque dá uma lufada de ar fresco à (maldita) independência individual, e em parte é o que leva um gajo a querer sair de casa e procurar relações íntimas que não sejam dentro do seu seio familiar. Se olharmos para trás, a história do conservadorismo heterossexual dos Estados Unidos. Existe, neste conservadorismo uma espécie de incesto perigoso: um medo endogamo entre os conservadores, como se fosse uma espécie de desperdício, e uma necessidade constante de demonizar e destruir tudo o que pensam que é uma ameaça nas suas vidas – como se a vida, a liberdade e a busca pela felicidade fosse um direito divino seu.

Imagem cabeçalho: Julianne Moore e Barney Clark em Savage Grace, dirigida por Tom Kalin em 2007.

 
Informe Abusos | Mapa do site | Copyright | Franchising | Contactos

ErosGuia 2012
Desenvolvido por Ideia CRIATIVA