Definição
Publicado em 2014-02-10 na categoria SexCult / Intersexualidade


Intersexualidade, em seres humanos, é qualquer variação de caracteres sexuais incluindo cromossomos, gónadas e/ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como totalmente feminino ou masculino. Essa variação pode envolver ambiguidade genital, combinações de factores genéticos e aparência e variações cromossómicas sexuais diferentes de XX para mulher e XY para homem.

Pode incluir outras características de dimorfismo sexual como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo

Classificações

Existem diversas causas para intersexualidade, dentre eles

  • Hipospadia (1 em cada 300 nascimentos)
  • Síndrome da insensibilidade androgénica parcial (1 em cada 130 000)
  • Síndrome da insensibilidade androgénica total (1 em cada 13 000)
  • Hiperplasia adrenal congénita (1 em cada 5 000 a 14 000)
  • Disgenesia gonadal parcial (1 em cada 15 000)
  • Disgenesia gonadal total (1 em cada 150 000)
  • Agenesia vaginal (1 em cada 1 500 a 6 500)
  • Agenesia peniana ou Agenesia Gonadal (1 em cada 10 a 30 milhões)
  • Síndrome de Klinefelter (1 a cada 850)
  • Eunucoidismo/Hipogonadismo moderado ou severo (20% dos homens idosos)
  • Pseudo-hermafroditismo masculino (1 em 20 000)
  • Mosaicismo envolvendo os cromossomos sexuais
  • Virilização induzida por progestina
  • Síndrome de Turner (1 em cada 2 500)
  • Deficiência de 5-alfarredutase

A palavra intersexual é preferível ao termo hermafrodita, já bastante estigmatizado, precisamente porque hermafrodita referia-se apenas a questão dos genitais visíveis. Alguns intersexuais podem ser considerados como transgéneros.

Epidemiologia

Um em cada 100 nascimentos possui algum nível de ambiguidade sexual e entre um e dois em cada 1 000 nascimentos essa ambiguidade é tal que precisa de cirurgia para diferenciação de género.

Heterogeneidade

Heterogeneidade diz respeito ao facto de não existir, numa mesma pessoa/bebé, um alinhamento de todas as características sexuais por um só género, ou seja, não são todas tradicionalmente femininas, nem são todas tradicionalmente masculinas. As características ambíguas podem ser relativas a:

  • Cariótipo: organização dos cromossomos sexuais;
  • Diferença gonádica funcional: ovários, testículos e outros;
  • Morfologia genital externa: lábios vaginais, clítoris, pénis;
  • Configuração dos órgãos reprodutivos internos ou;
  • Características sexuais secundárias.

Orientação sexual

Intersexualidade, enquanto transgeneridade, é uma condição sexual e não uma orientação sexual. Portanto, as pessoas que se autodenominam intersexuais podem se identificar como homossexuais, heterossexuais, pansexuais, bissexuais ou assexuais.

Terceiro género

Cada vez mais pessoas e famílias optam por manter essa condição e não se submeterem aos padrões preto-e-branco de género da sociedade. Muitos especialistas defendem que género que entre essa visão binária preto-e-branco existem diversos tons de cinza e portanto género deve ser visto como uma linha onde o masculino está num extremo e o feminino em outro extremo e existe uma grande diversidade entre eles

Tratamento

O tipo de tratamento vai depender da causa e existem dois modelos possíveis:

  • Modelo centrado no sigilo e cirurgia: Fazer a cirurgia e medicar nos primeiros 24 meses de vida;
  • Modelo centrado no paciente: Esperar o paciente crescer, explicar a complexidade das questões envolvidas e permitir que ele escolha qual género prefere, o momento que deseja a cirurgia e quais cirurgias prefere fazer.

Em caso de clitoromegalia e micropénis, esperar antes de fazer a cirurgia é importante para não correr o risco de prejudicar a funcionalidade do órgão sexual. Outro motivo para esperar antes de fazer a cirurgia é evitar a insatisfação do paciente ao qual foi imposto um sexo, mas desenvolve preferência pelo outro. É importante que os pais e o indivíduo possuam acompanhamento psicoterapêutico para lidar com as suas ansiedades e frustrações relativas a toda complexidade envolvida na intersexualidade.

Assim o tratamento moderno envolve psicoterapia para o indivíduo e a sua família, cirurgia de redesignação sexual, cirurgia plástica para modificar caracteres sexuais primários e secundários e tratamentos hormonais. É mais fácil fazer genitais femininos e por isso ela tem sido preferida pelo modelo médico tradicional. Mesmo na abordagem centrada no paciente, recomenda-se que a cirurgia seja feita caso haja sério prejuízo funcional e desconforto genital.

 
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